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Literatura


PERÍODOS LITERÁRIOS

QUADRO SINÓTICO DOS PERÍODOS LITERÁRIOS

1. PORTUGAL

Período Época
Trovadorismo 1189(98) –1434
Humanismo 1434 –1527
Classicismo 1527 –1580
Barroco 1580 –1756
Arcadismo 1756 – 1825
Romantismo 1825 –1865
Realismo/Naturalismo/Parnasianismo 1865 –1890
Simbolismo 1890 –1915
Modernismo 1915 aos dias de hoje

 

2. BRASIL

Período Época
Literatura Informativa sobre o Brasil e Literatura Jesuítica 1500 - 1601
Barroco 1601 – 1768
Arcadismo 1768 – 1836
Romantismo0 1836 – 1881
Realismo/Naturalismo/Parnasianismo 1881 – 1893
Simbolismo 1893 – 1902
Pré-Modernismo 1902 –1922
Modernismo 1922 aos dias de hoje
Obs.: A literatura atual, de mais ou menos 1950 em diante, é chamada de pós-modernista, seguindo a tendência das Artes.  

 

Estudo dos Períodos

  1. TROVADORISMO

Representou o início da atividade literária da língua portuguesa. A Ribeirinha, de Paio Soares Taveirós, foi a primeira composição literária portuguesa.

As canções dessa época chamadas, de cantigas classificavam-se em: cantigas de amor, de amigo; de escárnio e de maldizer.

Características principais:

  1. Lirismo amoroso.
  2. Predomina a arte poética (trovadores).
  3. Presença do ambiente campestre.
  4. Referência a aspectos da vida na Corte, onde se encontravam os nobres. Presença constante do aspecto religioso.
  5. Teocentrismo (devido ao predomínio da Igreja na época, Deus era considerado o centro do universo e era disseminada entre o povo a idéia de que a sociedade estava dividida entre dominados e dominadores porque "era a vontade de Deus". Os dominados somente seria possuidores de uma grande riqueza no céu, após a morte, e, nesta vida, se alguém desejasse mudar de classe social era contrariar a vontade de Deus).
  6. Lamentos de amores impossíveis ou já passados.
  7. Refrões (repetição de determinados versos).
  8. Atos heróicos dos cavaleiros (nas novelas).

 

Abaixo, você vê um exemplo de cantiga de amigo:

Cantiga de amigo

(J. J. Nunes)

Levad’, amigo, que dormides as manhãas frias; Levad’: levantai
Todalas aves do mundo d’amor dizian:  
Leda m’and’eu! Leda: contente
   
Levad’, amigo, que dormide’las frias manhãas;  
Todalas aves do mundo d’amor cantavan:  
leda m’ande’eu!  
   
Todalas aves do mundo d’amor dizian:  
do meu amor e do voss’en ment’avaian En ment’avian: traziam na mente
Leda m’and’eu!  
   
Todalas aves do mundo d’amor cantavan:  
do meu amor e dos voss’i enmentavam: i: aí; enmentavam: traziam na mente
Leda m’and’eu!’’  
   
do meu amor e do voss’en ment’avian;  
vós lhi tolhestes os ramos en que siian: Siian: pousavam
   
Do meu amor e do voss’i enmentavam;  
Vós lhi tolhestes os ramos en que pousavam:  
leda m’and’eu!  
   
Vós lhi tolhestes os ramos en que siian:  
E lhe secastes as fontes en que bevian:  
leda m’and’eu!  
   
vós lhi tolhestes os ramos en que pousavam:  
E lhi secastes as fontes u se banhavan:  
Leda m’ande’eu!  

Interpretação:

  1. O eu-lírico dessa cantiga é masculino ou feminino? Justifique.
  2. Que papel a natureza desempenha no texto?
  3. Que observações você faria com relação à linguagem da cantiga?
  4. Que refrão encontramos no texto? Como você definiria refrão?
  5. Que tipo de sentimento o eu-lírico expressa nessa cantiga?
  6. Com relação ao número de versos, a cantiga está composta de que tipo de estrofe?
  1. HUMANISMO

O Humanismo foi um período de transição entre a Idade Média e a Idade Moderna, entre o teocentrismo e o antropocentrismo (homem como centro do universo). É a época dos grandes descobrimentos marítimos e do aparecimento da burguesia como classe social.

Características principais:

    1. Surgimento do teatro, com Gil Vicente.
    2. A poesia separa-se da música, embora coexistam as cantigas.
    3. Maior interesse pelo ser humano e questionamento de suas atitudes.
    4. Presença de um espírito mais crítico.
    5. Importância à historiografia (arte de escrever a história).
    6. Valorização dos escritos que encerrassem ensinamentos (prosa doutrinária)

Trecho da Farsa de Inês Pereira, peça teatral de Gil Vicente.

Inês queria casar-se com um homem que fosse inteligente ("avisado") e trovador, não importando que fosse pobre. Acaba escolhendo um charlatão, que a maltratava, o Escudeiro. Um dia, estando o marido na guerra, ela recebe uma carta do irmão:

Lê Inês Pereira a carta, a qual diz:

Muito honrada irmã,
esforçai o coração e
tomai por devoção
de querer o que Deus quer.
Inês E isto que quer dizer?
(Prossegue):

E não vos maravilheis
de cousa que o mundo faça,
que sempre nos embaraça
com cousas. Sabei que, indo
vosso marido fugindo
da batalha para a vila,
a meia légua de Arzila,
o matou um mouro pastor.
...............................................

Inês Mas que nova tão suave!
Desatado é o nó!

Se eu por ele ponho dó,              (dó: luto)
o diabo me arrebente!
Para mim era valente
e matou-o um mouro só!
Guardar de cavaleirão,
barbudo, repetenado                (repetenado: insolente)
que em figura de avisado
é malino e sotrancão                  (sotrancão: dissimulado)
Agora quero tomar,
Para boa vida gozar,
Um muito manso marido;
Não no quero já sabido,
Pois tão caro há-de custar.

Aqui vem Lianor Vaz, e finge Inês Pereira estar chorando, e diz Lianor Vaz:

Como estais, Inês Pereira?
Inês Muito triste, Lianor Vaz.
...............................................

Lianor Filha, não tomeis tristura,
Que a morte todos gasta.
O que havedes de fazer?
Casade-vos, minha filha.
Inês Jesus! Jesus! Tão asinha!              (asinha: depressa.)
Isso me haveis de dizer?
Quem perdeu um tal marido,
Tão discreto e tão sabido,
E tão amigo de minha vida...
Lianor Dai isso por esquecido
e buscai outra guarida.
Pero Marques tem que herdou
fazenda de mil cruzados;
mas vós quereis avisados...                  (avisados: inteligentes.)

Inês             Não, já esse tempo passou"

Sobre quantos mestre são,
a experiência dá lição.
Lianor Pois tendes esse saber,
Quereis ora quem vos quer,
dai ao demo a opinião!

Vai Lianor Vaz por Pero Marques, e fica Inês Pereira só, dizendo:

Andar! Pero Marques seja!
Quero tomar por esposo
quem se tenha por ditoso
de cada vez que me veja.
Por usar de siso mero,
asno que me leve quero,
e não cavalo folão;                     (folão: irrequieto, violento)
antes lebre que leão,
antes lavrador que Nero.

Interpretação

 

  1. Pelo trecho que você leu, trace um perfil de Inês, do Escudeiro e de Lianor Vaz.
  2. Inês sempre fez questão de homem inteligente. Após a morte do marido, ainda era essa sua postura? Explique.
  3. Uma das características do Humanismo era a crítica às atitudes humanas. Tente encontrar alguma no trecho acima e copie-a.
  4. No texto falou-se muito em casamento. Quantas vezes se fala em amor?
  5. Dê sua opinião: Será que ainda existem pessoas que vêem no casamento um "investimento" e não um ato de amor?
  1. CLASSICISMO

Tendo suas origens no Humanitismo, o Classicismo representa uma reação aos valores da Idade Média. O homem passa a ser o principal centro de interesse, e o saber humano emanado da cultura greco-latina é valorizado e ressuscitado. Encantado com os sucessos exploratórios e materiais, o homem volta-se mais para os acontecimentos terrenos, deixando de lado o conceito divinizante anterior. O que importa é descobrir e conquistar o mundo e não buscar o caminho para o céu (entre as descobertas, inclui-se a do Brasil ).

Foi um século de muita agitação no campo da cultura, da política e da religião. A Igreja Católica encontra-se em crise em função das idéias protestantes da Reforma.

Características principais:

  1. Culto da beleza e da perfeição formal.
  2. Paganismo, com utilização da mitologia greco-latina.
  3. Clareza e objetividade.
  4. Correção gramatical e uso da ordem inversa.
  5. Racionalismo (sentimentos e emoção controlados pela razão).
  6. Valorização da épica (feitos dos heróis contados em verso).
  7. Universalidade ( a obra deveria valer para todos e não estar voltada a problemas pessoais do autor).
  8. Imitação dos clássicos greco-latinos, considerados como modelo de perfeição.
  9. Personificação (atribuição de qualidades humanas a seres não-humanos).
  10. Rigor na métrica e na rima.

O principal representante do Classicismo português foi Luís Vaz de Camões, cuja produção literária abrangeu o lírico e o épico (Os lusíadas), além de peças teatrais.

Soneto

Luís Vaz de Camões

Sempre a razão vencida foi de Amor;
Mas, porque assim o pedia o coração,
Quis Amor ser vencido da Razão.
Ora que caso pode haver maior!

Novo modo de morte, e nova dor!
Estranheza de grande admiração,
Que perde suas forças a afeição,
Por que não perca a pena o seu rigor!

Pois nunca houve fraqueza no querer,
Mas antes muito mais se esforça assim
Um contrário com outro por vencer.

Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há de ser
Inclinação que eu tenho contra mim.

(In: Massaud Moisés, org. Luís de Camões; lírica. SP. Cultrix, 1988.)

Interpretação

  1. Que elementos se encontram personificados no soneto?
  2. Segundo o eu-lírico, quem foi sempre o vencedor: o amor ou a razão? Justifique através do texto.
  3. Esplique o significado do segundo e do terceiro verso da primeira estrofe. Depois, relacione sua conclusão a uma característica do Classicismo.
  4. Explique o significado da segunda estrofe.
  5. Pelo que se depreende da terceira estrofe, o amor é um sentimento forte ou fraco? Explique.
  6. A que conclusão o eu-lírico chega na última estrofe?
  7. Analisando o esquema de rimas, o número de sílaba nos versos e a estrofação, explique o que é perfeição formal.
  1. LITERATURA INFORMATIVA SOBRE O BRASIL E LITERATURA JESUÍTICA

A Literatura Informativa abarca tudo o que cronistas e viajantes registraram sobre o Brasil no Século XVI, logo após sua descoberta pelos portugueses. É dessa época a "certidão de nascimento" do Brasil: a Carta, de Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de cabral, relatando ao rei D. Manuel os fatos que aconteceram e o que observou na nova terra encontrada.

A Literatura Jesuítica, representada sobretudo por José de Anchieta, envolve textos religiosos (poesia, teatro) voltados à catequização dos índios.

Texto:

Como os selvagens se portaram comigo no primeiro dia em sua aldeia

Hans Staden


    No dia seguinte – às ave-maria a julgar pelo sol – avistamos suas habitações. Tínhamos levado três dias de caminho percorrido de Bertioga, onde eu tinha sido aprisionado, trinta milhas.

    Quando nos aproximamos, vimos uma pequena aldeia de sete choças. Chamavam-na Ubatuba. Dirigimo-nos para uma praia, aberta ao mar. Bem perto trabalhavam as mulheres numa cultura de plantas de raízes, que eles chamavam mandioca. Estavam aí muitas delas, que arrancavam raízes, e tive que lhes gritar em sua língua: "Aju ne xé peê remiurama", isto é: "Estou chegando eu, vossa comida".

    Fomos à terra. Acudiram então todos, moços e velhos das cabanas, que ficavam num outeiro, e queriam ver-me. Os homens se retiraram com os arcos e flechas para suas moradias e deixaram-me com as mulheres, que me rodearam. Algumas foram à minha frente, outras atrás, dançando e cantando uma canção quem segundo seu costume, entoavam aos prisioneiros que tencionavam devorar. Assim trouxeram-me elas até a caiçara, fortificação de estacas longas e grossas que rodeia suas choupanas como a cerca dum jardim. Utilizam-na como anteparo contra o inimigo. No interior da caiçara arrojaram-se as mulheres todas sobre mim, dando-me socos, arrepelando-me a barba, e diziam em sua linguagem: "Xé anama poepika aé!" "Com esta pancada vingo-me pelo homem que os teus amigos nos mataram".

    Depois introduziram-me elas na choça, onde tive que deitar-me numa rede, e de novo vieram, bateram-me, escarapelaram-me os cabelos e significaram-me, ameaçadoras, como iriam devorar-me.

    Os homens estavam durante este tempo reunidos em uma outra choça. Lá bebiam cauim e cantavam em honra de seus ídolos, chamados Maracá, que são matracas feitas de cabaças, os quais talvez lhes houvessem profetizado que iriam fazer-me prisioneiro.

    O canto eu ouvia, mas durante meia hora não houve nenhum homem perto de mim, apenas mulheres e crianças.

    (In: Carlos Vogt e José Augusto Guimarães de Lemos. Orgs.. Cronistas e viajantes. SP, Abril Educação. 1982. Literatura comentada).

Interpretação

  1. Em se tratando da época do Descobrimento do Brasil, ao lermos "...avistamos sua habitações", a que o cronista se refere?
  2. No texto há referência a duas praias lusitanas bastante freqüentadas atualmente. Quais são?
  3. Havia, nos índios um desejo de vingança contra os brancos. Por quê?
  4. Podemos dizer que o texto em questão é literário? Por quê?
  5. A que se deve a denominação "de viagens ou informativa" dada a essa literatura?

V. BARROCO

    O Barroco é literatura do conflito e dos extremos, isto em função das diferentes visões de mundo advindas da Idade Média (teocentrismo) e da Idade Moderna (antropocentrismo). A igreja Católica, preocupada com as idéias da Reforma Protestante, inicia a Contra-Reforma.

    A própria corrupção da Igreja Católica, com a ambição desmedida de seus representantes, e os grandes avanços verificados no conhecimento humano levaram o homem a valorizar-se mais e concluir que tinha autonomia, questionando o discurso da Igreja: que Deus era aquele que determinava a existência de escravos e senhores, ricos e pobres, explorados e exploradores? Que Deus era aquele que cobrava impostos e absolvia em troco de um pedaço de terra? Que Deus era aquele que condenava o prazer e só sabia castigar?

    Se, por um lado, essa mudança de atitude levou a progressos, pois o homem percebeu que deveria agir, lutar por si mesmo, e não ficar esperando as coisas "caírem do céu", por outro, levou a uma incerteza com relação à realidade, pois ficou uma grande dúvida no ar: Deve-se, afinal, viver em função do terreno ou do divino? E se eu viver em função do terreno e a Igreja tiver razão? Vou para o inferno. E se eu viver em função do divino, privando-me para isso de alguns prazeres, e realmente não existir o pecado?

    Toda essa situação levará a atitudes contrditórias e questionadoras, que se revelarão na arte da época.

Características principais

  1. Sentimento de insegurança.
  2. Presença de antíteses (figura de linguagem que joga com idéias contrárias: vida/morte; luz/trevas);
  3. Presença de paradoxos (figura de linguagem que apresenta idéias aparentemente absurdas).
  4. Uso de motivos religiosos.
  5. Pessimismo.
  6. Preocupação com a morte.
  7. Jogos de palavras, trocadilhos, sobretudo na poesia (cultismo).
  8. Busca da essência das coisas, através de sua análise (conceptismo), predominante na prosa.
  9. Linguagem rebuscada.
  10. Ordem inversa.
  11. Tentativa de conciliar matéria espírito.

Principais representantes do Barroco: padre Vieira e Gregório de Matos Guerra

Texto:

Ao divino sacramento

Gregório de Matos

Tremendo chego, meu Deus,
ante vossa divindade,
que a fé é muito animosa
mas a culpa mui cobarde.

À vossa mesa divina
como poderei chegar-me,
se é triaga da virtude
e veneno da maldade?

Como comerei de um pão,
que me dais, por que me salve,
um pão que a todos dá vida,
e a mim temo que me mate?

Como não hei de ter medo
de um pão, que é tão formidável,
vendo que estais todo em tudo,
e estais todo em qualquer parte?

Quanto a que o sangue vos beba,
isso não, e perdoai-me:
como quem tanto vos ama,
há de beber-vos o sangue?

Beber o sangue do amigo
é sinal de inimizade;
pois como quereis que eu o beba,
para confirmarmos pazes?

Senhor, eu não vos entendo:
vossos preceitos são graves,
vossos juízos são fundos,
vossa idéia inescrutável.

Eu confuso neste caso,
entre tais perplexidades
de salvar-me ou de perder-me,
..................................................

(Apud José Miguel Wisnik, org. Poemas escolhidos; Gregório de Matos. São Paulo, Cultrix, 1975.)

 

Interpretação

  1. Reveja as características do Barroco e indique quais se aplicam ao texto.
  2. O que você entende do que foi colocado na quarta e quinta estrofes?
  3. Relendo as duas últimas estrofes, você diria que o poeta está seguro ou inseguro quanto ao rumo a seguir?
  4. Qual é a única certeza que o poeta tem?

 

VI. ARCADISMO OU NEOCLASSICISMO

Arcádia era, na mitologia, um monte grego onde se reuniam pastores.

O Arcadismo começa, em Portugal, com a fundação da Arcádia Lusitana, no Brasil, com a publicação de Obras, de Cláudio Manuel da Costa.

A doutrina iluminista guia o pensamento no século XVIII, o Século das Luzes: exaltação da razão, único meio de se chegar à verdade; da liberdade individual, econômica e da igualdade perante a lei.

Com a superioridade da razão, Deus aparece representando a suprema Inteligência, dando-se a conhecer através da natureza, cujas leis regeriam tudo o que existe (teoria mecanicista), sem necessidade de orações e outras cerimônias religiosas.

Contrariando os princípios da Idade Média, prega-se a igualdade entre os homens, cada um com liberdade de lutar para obter o que deseja. Na verdade, é uma reação aos abusos do clero e da nobre.

Características principais:

  1. Preocupação com a forma.
  2. Presença da mitologia greco-latina.
  3. Simplicidade, substituindo o luxo.
  4. Temas pastoris e campestres (artista = pastor).
  5. A arte como imitação da natureza.
  6. Obras em verso.
  7. Uso da razão
  8. Volta ao estilo clássico (de onde o nome "Neoclassicismo").
  9. Objetividade.
  10. Excesso de adjetivos.
  11. Paixões controladas.
  12. Fuga do ambiente urbano (fugere urbem), busca da natureza (locus amenus), culto ao homem simples (aurea mediocritas).
  13. Personificação.

Principais representantes do Arcadismo: Manuel Maria du Bocage (Portugal); Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa (participantes da Conjuração Mineira), Basílio da Gama, Santa Rita Durão, Silva Alvarenga.

Lira XIX

Tomás Antônio Gonzaga

Enquanto pasta alegre o manso gado,
Minha bela Marília, nos sentemos
À Sombra deste cedro levantado,

Um pouco meditemos
Na regular beleza,
Que em tudo quanto vive, nos descobre
A sábia natureza.

Atende, como aquela vaca preta
O novilhinho seu dos mais separa
E o lambe, enquanto chupa a lisa teta.
Atende mais, ó cara,
Como a ruiva cadela
Suporta que lhe morda o filho o corpo,
E salte em cima dela.

Repara, como cheia de ternura
Entre as asas ao filho essa ave aquenta,
Como aquela esgravata a terra dura,
E os seus assim sustenta;
Como se encoleriza,
E salta sem receio a todo o vulto,
Que junto deles pisa.

.............................................................

(Marília de Dirceu. Rio de Janeiro, Tecnoprint.)

 

Interpretação.

  1. Que características do Arcadismo você encontra no texto?
  2. O texto apresenta preocupação com a forma? Justifique.
  3. Que visão o poeta tem da natureza?
  4. Explique o significado de "regular beleza", na primeira estrofe.
  1. .  ROMANTISMO

O Romantismo surge, a partir da Segunda metade do século XVIII, na Inglaterra e na Alemanha, irradiando-se para a França e, dali, para o restante da Europa e para a América.

  1. Momento Histórico

    1. Portugal

    O Romantismo português tem início em 1825, com a publicação do poema Camões, de Almeida Garrett, e vai até 1865, quando se inicia o próximo movimento (Realismo).

    Após a Revolução Francesa (1789) toda a Europa passa por um período de transformações. As monarquias absolutistas entram em crise, a burguesia se firma juntamente com o liberalismo sócio-político.

    Em Portugal, a invasão napoleônica (1807) provoca a mudança de D. João VI para o Brasil, gerando movimentos de libertação e tentativa de restituição do equilíbrio à nação portuguesa. Em 1822, devido a uma revolução iniciado no Porto, os portugueses organizam uma Constituição liberal, que perderá efeito em 1834.

    De qualquer forma, os ideais da Revolução Francesa fixam no homem o desejo de "liberdade, igualdade e fraternidade".

    Com a ascensão da burguesia, há uma mudança na escala de valores da sociedade, passando a prevalecer a posse do dinheiro.

    No âmbito cultural, o aperfeiçoamento e a expansão da imprensa favorecem a publicação de diversos gêneros, o que acarreta maior popularização da arte, sobretudo na Inglaterra, onde a Revolução Industrial tinha efeitos mais marcantes.

Brasil

    No Brasil, o movimento romântico começa com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, em 1836, e vai até 1881, quando são publicados os romances O mulato, de Aluísio de Azevedo, e Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

    A vinda da corte real portuguesa em 1808 acarreta algum desenvolvimento ao Brasil, que culmina com a Proclamação da Independência em 1822, estabelecendo-se o regime monárquico.

    Tornando-se uma nação independente, é natural que começasse a se desenvolver um espírito nacionalista, que se revelará nas obras de arte, voltadas sobretudo ao cenário brasileiro, tentando libertar-se das influências europeizantes.

A cultura e a sociedade

Se a Revolução Francesa fortaleceu o desenvolvimento das idéias liberais, a ascensão da burguesia e a Revolução Industrial reforçaram as bases do capitalismo.

Em função da ânsia de ganhos que começa a prevalecer na mente das pessoas, para um certo segmento da sociedade surge o sentimento de frustração, de perda de valores, já que o homem começa a degradar-se para conseguir uma boa posição social. Daí o saudosismo que se pode detectar em muitas obras românticas e o culto a heróis medievais, pois o passado aparece como a real fonte de valores autênticos. Outros fogem para o sonho, em busca de um mundo ideal, como meio de esquecer essa realidade que choca, amedronta, corrompe.

No Brasil, especificamente, existe motivo para uma certa euforia, gerada pela Independência. Teremos artistas falando da paisagem brasileira, da história do índio, da sociedade, embora encontremos, também, em meio a isso, a degradação da classe dominante e dos que desejam ascender socialmente a qualquer preço. O índio, por sua vez, será eleito nosso "herói nacional", nossa origem, uma vez que, diferentemente dos europeus, não conhecemos nem tivemos a Idade Média.

A existência da escravidão negra tocará poetas como Castro Alves; a falta de essência no posicionamento de pessoas e a ausência de perspectivas de reversão dos valores levarão muitos a uma vida desregrada que atrai prematuramente a morte.

Contrariamente aos clássicos, os românticos pretendem o predomínio da emoção sobre a razão, a liberação dos sentimentos dos sentimentos, a liberdade de produção.

Principais características da produção artística

Fora muitas as tendências da arte romântica mas sobressaíram-se três delas, divididas no que chamamos de gerações: nacionalista, ultra-romântica (ou do "mal do século" ou byroniana) e social.

Importante notar que nessa época é que surge o romance propriamente dito, inicialmente publicado em capítulos nos jornais (folhetins).

    As características que são apresentadas a seguir são bem gerais e servem apenas para se ter uma idéia do espírito da era romântica. Ao analisar alguns textos, você poderá ter oportunidade de conhecer maiores detalhes.

  1. Liberdade de expressão.
  2. Uso da imaginação.
  3. Na Europa, reaparecem os motivos medievais, numa tentativa de resgatar o passado histórico e os heróis nacionais.
  4. Volta ao passado individual, com valorização da infância.
  5. Subjetivismo, valorização do "eu".
  6. Pessimismo, com expressão de dores, sofrimentos.
  7. Fuga da realidade, evasão, escapismo. Daí o romântico ser considerado um sonhador.
  8. Busca de refúgio na natureza, que aparece como reflexo do estado de espírito do artista.
  9. Aversão ao purismo e formalismo clássico e neoclássico. Conseqüentemente, o conteúdo passa a ter mais importância que a forma.
  10. Visão da morte como solução para os problemas humanos.
  11. Amores impossíveis, musas inatingíveis, sonhos irrealizáveis.
  12. Valorização do índio, no Brasil, na primeira fase do Romantismo.
  13. Valorização da pátria.
  14. Revalorização do místico e do religioso, em alguns casos.
  15. Na poesia social ou condoreira, referência à vida do escravo.
  16. Espírito revolucionário, almejando reformas na estrutura da sociedade, embora essa atitude nada representasse de prático na solução de problemas, restringindo-se a meros lamentos (em alguns casos, denúncias) e busca de asilo no sonho.
  1. Principais autores e obras

Portugal

  • Almeida Garrett: Camões, Dona Branca, Folhas caídas, Lírica de JoãoMínimo, Romanceiro, Flores sem fruto (poesia); Viagens na minha terra, Arco de Sant’Ana (prosa); Frei Luís de Sousa (teatro).
  • Alexandre Herculano: "A cruz mutilada" (poesia); Lendas e narrativas, O bobo, O monge de Cister, Eurico, o presbítero (prosa).
  • Antônio Feliciano de Castilho: Cartas de Eco a Narciso, A primavera, A noite do castelo, Os ciúmes do bardo, Escavações poéticas (poesia).
  • Antônio Augusto Soares de Passos: Poesias, que contém "O noivado do sepulcro", o poema mais popular na época.
  • Camilo Castelo Branco: Amor de perdição, Amor de salvação, A queda de um anjo, Eusébio Macário, A doida de candal (prosa).
  • Júlio Dinis (Joaquim Guilherme Gomes Coelho): As pupilas do senhor reitor, Os fidalgos da casa mourisca, A morgadinha dos canaviais, Uma família inglesa (prosa).
  • João de Deus: Campo de flores (poesia).

Brasil

  • Gonçalves de Magalhães: Suspiros poéticos e saudades (cujo prefácio marcou o início do Romantismo no Brasil, poesia); A Confederação dos Tamoios (poesia épica).
  • Gonçalves Dias: Primeiros Cantos, Segundos cantos, Sextilhas de Frei Antão, Últimos cantos, Os timbiras (poesia); Leonor de Mendonça (teatro).
  • Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha, O moço loiro, Dois amores, A luneta mágica (prosa).
  • Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um sargento de mílícias (prosa).
  • José de alencar; Iracema, Ubirajara, O guarani (prosa indianista); O gaúcho, O sertanejo (prosa regionalista); Cinco minutos, A viuvinha, A pata da gazela, Sonhos d’ouro, Lucíola, Diva, senhora, Encarnação, O tronco do ipê, Til (prosa social ou urbana); As minas de prata, A Guerra dos Mascates (prosa histórica); O demônio familiar, Mãe, As asas de um anjo, O jesuíta (teatro).
  • Bernardo Guimarães: A escrava Isaura, O garimpeiro, O seminarista, O ermitão de Muquém (prosa).
  • Visconde de Taunay (Alfredo d’Escragnole Taunay): Inocência, A retirada da Laguna, O Encilhamento (prosa).
  • Franklin Távora: O Cabeleira, O matuto (prosa).
  • Álvares de Azevedo: Lira dos vinte anos, O conde lopo (poesia); Noite na taverna (prosa); Macário (teatro).
  • Junqueira Freire: Inspirações do claustro, Contradições poéticas (poesia).
  • Casimiro de Abreu: Primaveras (poesia).
  • Castro Alves: Espumas flutuantes, A Cachoeira de Paulo Afonso, Os escravos (poesia); Gonzaga ou A revolução de Minas (teatro).
  • Fagundes Varela: Vozes da América, Noturnas, O estandarte auriverde, Cantos e fantasias, Cantos meridionais, Cantos do ermo e da cidade, Anchieta ou O evangelho nas selvas, cantos religiosos, Diário de Lázaro (poesia).
  • Sousândrade (Joaquim de Sousa Andrade): Gusa errante, Harpas selvagens (poesia).
  • Martins Pena: O juiz de paz na roça, A família e a festa da roça, o judas em Sábado de aleluia, Quem casa quer casa, O noviço, Um sertanejo na corte (teatro).

TEXTOS PARA ANÁLISE

Indentifique as características correspondentes ao movimento romântico, seguindo o exemplo:

"Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido


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